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Como identificar falsos especialistas em procedimentos estéticos

Como identificar falsos especialistas em procedimentos estéticos

48,1% dos médicos processados não tinham qualquer título de especialidade médica

Segundo o mais recente relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgado em 2023, o Brasil se destaca como o segundo país com mais procedimentos estéticos e reparadores realizados no mundo, totalizando 8,9% do volume global, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (24,1%).

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) prevê que mais de 2 milhões de procedimentos estéticos cirúrgicos sejam registrados no Brasil em 2023, sendo que a média anual é de aproximadamente 1,5 milhão de procedimentos.

Já o setor de procedimentos estéticos não cirúrgicos, conforme a Grand View Research, atingiu em 2023 o valor global de US$ 127,1 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 633 bilhões. A estimativa do mercado é de uma taxa de crescimento anual de 14,9% até 2030.

Técnicas avançam, mas as complicações também: Um dos principais motivos deste incremento é a popularização dos procedimentos não cirúrgicos injetáveis, conforme a pesquisa ISAPS. No Brasil, a técnica em destaque é a aplicação da toxina botulínica (botox), seguida pelos preenchedores de ácido hialurônico e bioestimuladores da produção de colágeno.

Segundo o cirurgião plástico Luís Maatz, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC/FMUSP); o problema é que, paralelamente, tem crescido também o número de complicações decorrentes destes procedimentos.

“Um dos principais motivos é que muitos especialistas de outras áreas, que não são médicos, ou médicos sem especialização em cirurgia plástica ou dermatologia, estão realizando estes tratamentos estéticos”, explica o membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Riscos de cair em mãos erradas: O CREMESP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) reviu processos de 289 médicos, constatando que 48,1% não possuíam qualquer título de especialidade médica.

Além disso, 49,5% tinham certificados em áreas não relacionadas à cirurgia plástica ou procedimentos estéticos. Apenas 2,1% dos médicos processados eram cirurgiões plásticos, e 0,3% eram dermatologistas com atuação em procedimentos estéticos.

Um estudo publicado na revista Plastic and Reconstructive Surgery levantou dados em 19 Estados brasileiros ao longo de 2020. Foi relatado um total de 47.360 procedimentos de preenchimento facial e 1.032 complicações, sendo que, destas complicações, 550 episódios ocorreram nas mãos de profissionais que não eram médicos, correspondendo a mais da metade do total de complicações, e a 1,16% do total de procedimentos.

As complicações identificadas pelo estudo foram nódulos e edemas na região da aplicação (63% e 62%, respectivamente) e infecções tardias (25%). Também foram relatados casos de oclusão arterial e formação de úlceras. A área abaixo dos olhos, que tem um tecido mais delicado, registrou 70% dos edemas.

“Neste caso, por exemplo, um profissional que não seja habilitado pode errar o plano anatômico e a quantidade de substância a ser aplicada, usando um volume maior do que o apropriado e aumentando a chance de complicações. Daí a importância de atuar com volumes menores, em aplicações graduais, para diminuir a chance dessas reações”, pontua Luís Maatz.

Sendo assim, é de suma importância tomar conhecimento de alguns fatos antes de se deixar levar pela ansiedade de mudar a aparência:

Mesmo com indicação, busque o máximo de informações sobre o médico: Os profissionais habilitados para procedimentos estéticos são os cirurgiões plásticos e dermatologistas, que devem comprovar o título de especialista nas sociedades regulamentadas pela AMB (Associação Médica Brasileira) e o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE).

“Para cirurgias plásticas, somente o próprio cirurgião plástico. Certifique-se que ele é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e se possui o RQE de cirurgia geral e plástica. Verifique nos sites da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e na Sociedade Brasileira de Dermatologia)”.

Luís Maatz também aconselha a fazer uma busca no Google, onde é possível encontrar processos e reclamações contra o médico, além de possíveis notícias negativas sobre o profissional.

Desconfie de valores atrativos demais: Quem cobra preços muito baixos pode estar colocando o lucro acima da saúde do paciente. “Costumam oferecer procedimentos não essenciais, pressionar os pacientes antes de tomarem uma decisão consciente, ou negligenciar os cuidados necessários antes, durante e após o procedimento”.

Mais uma vez, segundo Maatz, vale consultar a SBCP, que estabelece parâmetros mínimos para cada categoria de procedimento, visando assegurar a excelência dos tratamentos e a adequada remuneração dos especialistas.

Verifique onde o procedimento será realizado: Confira se a intervenção será feita em uma clínica com toda a estrutura necessária e com uma equipe devidamente qualificada. “No caso de uma cirurgia plástica ou uma técnica mais invasiva, opte por realizar em um hospital. Por mais sofisticada que seja, nenhuma clínica substitui a infraestrutura e a segurança de um hospital, caso ocorra uma emergência”.

Em caso de cirurgia, saiba se o médico solicita os exames pré-operatórios essenciais: Segundo Luís Maatz, estes exames poderão determinar a possibilidade da sua intervenção. “Isso porque caso algum exame apresente anormalidades, não será possível realizar o procedimento até que o paciente cuide do devido problema”. Além disso, o profissional deve avaliar histórico médico e familiar (incluindo doenças crônicas/pré-existentes), cirurgias anteriores, alergias, bem como os hábitos de vida do paciente.

Os exames necessários, segundo Maatz, geralmente incluem hemograma, glicemia em jejum (verifica os níveis normais de glicose e previne complicações durante o procedimento cirúrgico), coagulograma (avalia a coagulação sanguínea e evita sangramentos durante a cirurgia).

Também deve ser feita dosagem de ureia e creatinina (checa a saúde renal do paciente), exame de urina (como o EAS, que avalia pH, densidade e outras substâncias), e eletrocardiograma (analisa a atividade elétrica do coração para determinar se está funcionando adequadamente).

“Já os exames de imagem são essenciais para que o médico possa avaliar as áreas que serão operadas”, completa o cirurgião

Questione sobre as orientações do pós-procedimento: No retorno com o especialista, ele deve passar todas as orientações necessárias para garantir o seguimento adequado da recuperação e os resultados desejados.

“Não hesite em tirar todas as suas dúvidas. Você pode, e deve perguntar o que quiser, sendo dever do médico não faltar com a verdade e transmitir a segurança que você tanto precisa para fazer sua mudança estética”, finaliza Luís Maatz.

 

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Written by: Lucas Nóbrega

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